John E. Upledger
Em 1971 o Dr John Upledger foi chamado para o atendimento e posterior internação de um de seus pacientes, chamado Delbert. Após ter recebido alta, este paciente começou a se queixar de dores nas solas dos pés. Depois de examiná-lo, Upledger verificou que as solas estavam escuras, rachadas e com a pele se soltando. Sem ter visto nada parecido, encaminhou para um dermatologista, que foi de nenhuma ajuda.
Iniciou-se uma jornada em busca de diagnóstico, nos centros médicos de Gainesville, Flórida; Duke University Medical School em Durham, Carolina do Norte; Coal Miners Hospital em West Virgínia. Nenhum destes centros deu qualquer resposta para os problemas nos pés, que continuavam piorando.
Um neurocirurgião, recém aceito na equipe, deu a sugestão de que poderia ser um problema na região cervical, o causador destes problemas. Sem mais alternativas, seguiu-se neste direção e constatou-se que havia uma calcificação na região cervical. Ainda sem crer que esta poderia ser a causa dos problemas, decidiu-se por uma cirurgia para a remoção desta placa de cálcio.
Como assistente nesta operação, Upledger, tinha como função imobilizar o sistema de membranas, para que o neurocirurgião retirasse a placa de cálcio. Nesta situação, pôde observar que este sistema se movia num padrão desconhecido e diferente do padrão respiratório e do cardíaco (ambos observados pelas máquinas de monitoramento). Este ritmo era desconhecido de todos na sala de cirurgia e, posteriormente analisado, da literatura médica disponível para a consulta.
Dois anos se passaram quando o Dr John Upledger participou de um seminário de osteopatia craniana, onde se discutia as idéias do Dr Sutherland, sobre o movimento dos ossos do crânio e, conseqüentemente, seu ritmo. Unindo as técnicas de avaliação e tratamento disponíveis com seu conhecimento científico, em pouco tempo criou um método e partiu para sua comprovação.
Como professor e pesquisador do Departamento de Biomecânica da Universidade Estadual de Michigan liderou uma equipe multidisciplinar composta de anatomistas, psicólogos, biofísicos e bio-engenheiros com o intuito de provar e explicar o funcionamento do Sistema CrânioSacro. Eles concluíram que as suturas dos ossos do crânio não são solidificadas, mas sim, vivas e com vascularização, fibras nervosas, receptores de alongamento e fibras colágenas. Também foram feitos estudos para determinar medidas precisas de freqüência e amplitude dos movimentos dos ossos cranianos.
Desde esta época o Dr John Upledger escreveu três livros, onde expõe detalhadamente todos os princípios e fundamentos do crâniosacro. Atualmente coordena as atividades do The Upledger Institute, uma fundação sem fins lucrativos para o desenvolvimento de novas técnicas de tratamento e diagnóstico. Frases: "Eu entendo agora que meu trabalho é como o 'facilitador' do processo de cura do próprio paciente. Este entendimento demorou desde o meu começo na medicina quando eu pensava que podia 'curar' as pessoas. E 'curei' todos os tipos de ataques do coração e ferimentos agudos. Eu realmente pensava que era eu quem estava fazendo aquilo. Eu me sentia culpado quando um dos meus pacientes não conseguia melhora. Hoje eu sei que era imaturo e que estava numa 'viajem de ego' durante aqueles primeiros dias.
Hoje eu sei que é o paciente quem realiza a cura, e eu um privilegiado em observar e talvez participar do processo de cura do paciente. Hoje eu sei que sou um estudante e o paciente, meu professor." (Dr John Upledger, D.O., F.A.A.O.)
"...mas basicamente minhas mãos estão descobrindo o que fazer. E eu acredito nisso porque eu 'solicito às minhas mãos' para se conectarem com o paciente. E assim que a conexão entre a sabedoria interna do paciente e minhas mãos se instale, minhas mãos saberão o que fazer, e eu as observo." (Dr John Upledger, D.O., F.A.A.O.)
Setembro
de 1996
André Luiz Navyia
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