FAO
- Fatores de Auto-Organização
A perspectiva de novos paradigmas em
Homeopatia
Na terapêutica homeopática
clássica, evidencia-se a necessidade de busca de similitude
entre o medicamento e a totalidade dos sintomas do indivíduo
e esse processo de seleção do medicamento homeopático
certo para cada paciente é, às vezes, uma tarefa
árdua e demorada devido ao grau de particularidade entre
a patologia que se deseja tratar e a patogenesia do medicamento,
ou seja, o potencial curativo de cada medicamento.
Para equacionar essa questão da sensibilidade individual,
buscou-se, através da experiência clínica
ao longo de 20 anos, desenvolver, com uma equipe de colaboradores
médicos, pesquisas sobre um modelo terapêutico
homeopático que, pela lei dos semelhantes, promovessem
uma regulação do terreno biológico. Tal
pressuposto fundamentou-se na possibilidade de uma atuação
primária e direta sobre essa matriz biológica,
que se apresenta como um campo formativo do qual emergem os
diferentes modelos de desordem classificados como doenças.
Essa concepção difere da abordagem homeopática
clássica que, pela lei dos semelhantes, atua em um padrão
secundário, exigindo, para isso, especificidade absoluta
entre os medicamentos homeopáticos empregados e cada
um desses incontáveis padrões mórbidos
emergentes que compõe as distintas patologias1.
Esse terreno ou matriz biológica, conhecido pelos físicos
como quinto campo e pelos biólogos como biocampo, representa,
segundo Goodwin2, uma interação de campos biológicos
que atuam sobre unidades orgânicas existentes e integram
a unidade básica da forma e da organização
dos sistemas vivos3. Na Física, Beynam4 descreve esse
quinto campo como sinérgico e de efeito organizador;
como um campo que preenche todo o espaço, penetra e permeia
todas as coisas e que apresenta a propriedade de reconectar
objetos do modo como eram conectados no passado. Na Biologia,
Gurwitsch5, buscando dados observados na embriogênese,
postulou essa matriz, como um campo morfogenético (gerador
de forma), que se estabelece como um campo de força não
material, e que determina, em última instância,
o papel das células individuais, suas propriedades e
suas relações com as células vizinhas.
Dessa forma, o biocampo configura-se na forma de um padrão,
isto é, de uma dimensão quântica que depende
de ordem, ritmo, freqüência, fluxo, ressonância
e sincronicidade. Na teoria emergente dos sistemas vivos, o
processo da vida está descrito como a incorporação
contínua de um padrão de organização
autopoiético, em uma estrutura dissipativa física.
Esse processo, de acordo com Maturana & Varela6, foi identificado
como um processo cognitivo, porque sintetiza toda a atividade
organizadora dos seres vivos em todos os níveis de vida,
como um processo mental.
Trazendo essa concepção contemporânea para
o que fora postulado inicialmente como leis fundamentais da
homeopatia, encontramos um paralelismo preciso que aponta para
uma possível identidade entre o que os físicos
contemporâneos estabelecem como o padrão de auto-organização
e o que fora descrito por Hahnemann em relação
às propriedades, características e leis que regem
a força vital.
A única variável nesse ponto de vista, assenta-se
na diferença da visão sistêmica contemporânea
que comprova experimentalmente que esse biocampo ou padrão
de auto - organização, denominado de energia vital
por Hahnemann, na realidade é formado por uma interação
de campos dinâmicos que se superpõem e interagem
de forma sinérgica e não de uma energia isolada,
de uma força única ou substância simples
como se pensava.
De
acordo com a visão contemporânea, esse novo olhar
possível acerca da energia vital definindo-a como biocampo
ou padrão de auto-organização, aplica-se
exclusivamente ao seu mapeamento intrínseco estrutural,
não invalidando, entretanto, nenhuma das propriedades,
leis ou princípios, tais como descritos inicialmente
pelo criador da Homeopatia.
Esse estudo epistemológico estabelece um método
terapêutico que partiu de uma proposta de investigação
acerca da possibilidade de uma ação primária
sobre o biocampo ou padrão de auto-organização,
com estudos que avançam no sentido de uma possibilidade
de atuação direta em relação à
psora primária do indivíduo. Dessa forma obedece
às leis de Hering, o que permite uma equação
de cura tal como proposta por Kent7, sobre os princípios
fixos: “Lei e governo a partir do centro”. Neste
aspecto, descreve sobre a necessidade de se conhecer algo referente
ao governo interno do homem, a fim de se conhecer como se desenvolve
e se estende a enfermidade. Assim afirma:
“Tudo que no homem existe, assim como tudo o que tem lugar
nele, está presidido primitivamente por esse centro,
e desde esse ponto, até a periferia ”.
Apoiado
nestas evidências incontestes, observa-se ainda a partir
de estudos clínicos, que esse método terapêutico
preenche integralmente o que fora proposto por Hahnemann no
parágrafo 2 do Organon , em relação ao
que se deve esperar do tratamento homeopático:
a- “Restabelecer a saúde, que tem como ponto
de vista pôr em ordem o ser humano enfermo; sanar apenas
os sintomas não significa consideração
alguma para o ser humano”.
b- “Cura pronta, suave e permanente”.
c- “Os princípios têm de ser claros e facilmente
compreensíveis.O que significa uma lei tão certa
como a da gravidade. Possuir intimamente estes princípios
e conhecimentos, esta exatidão de método. Conhecer
estes medicamentos, que não mudam nunca de propriedades,
e familiarizar-se com seu modo de atuar. Tal é a aspiração
principal do estudo homeopático. Quando se aprende estes
princípios, e se persiste na pratica deles, se fazem
mais claros e seguros a medida que se conhece mais”.
Tal como descrito por Hahnemann acerca da energia vital, a partir
desse padrão de auto-organização, elaboram-se
distintas configurações decorrentes de toda a
sorte de informações que o indivíduo recebe
ao longo da vida. Essas informações interagem
diretamente com esse padrão que compõe o biocampo
e podem ser de natureza química, como no caso das intoxicações;
biológica, no caso das doenças infecto- contagiosas;
física, por exposição a diferentes radiações;
genética ou ainda informações de natureza
psíquica, como traumas ou qualquer classe de stress.
Dependendo do potencial mórbido dessa informação
recebida, o indivíduo pode sofrer tal desvio em seu biocampo,
que perde a memória biológica em relação
aos padrões universais compatíveis com a saúde.
A partir desse ponto, necessita, para a sua recuperação,
de uma nova informação coerente, de forma a reorientar
essa matriz no sentido de uma auto- organização.
A grande característica das doenças crônicas
é exatamente a perda da memória biológica
em relação a esses padrões compatíveis
com a saúde.O indivíduo, muitas vezes, mesmo diante
de um quadro simples, tem seu sistema de defesa bloqueado, e
todo o seu sistema biológico permite que a doença
avance.
Nesse contexto, esse novo modelo homeopático, foi desenvolvido
como proposta de se abrir uma investigação direta
em relação a esse biocampo, partindo do mapeamento
de certas substâncias da natureza, que pudessem estabelecer
uma ressonância coerente com essa matriz biológica.
Tais elementos foram compilados ao longo dos anos, compondo
um estudo de mapeamento em relação à ordem
empregada, aos fluxos e freqüências específicas,
de forma que a dinâmica sinérgica entre esses elementos
pudesse traduzir o princípio da similitude em relação
aos diferentes padrões mórbidos que viessem, por
ventura, emergir a partir desse terreno biológico.
O medicamento homeopático repassa, na realidade, uma
informação biofísica para o biocampo. Nesse
contexto, não depende da presença de moléculas
na solução empregada, para que essa informação
se torne efetiva. Isso porque, na concepção biofísica,
de forma inversa como ocorre na concepção bioquímica,
quanto maior a diluição homeopática, maior
o potencial dinâmico dessas substâncias.
No desenvolvimento desse novo “perfil epistemológico”,
pensou-se na proposta de equacionar outro ponto de apoio crítico
em relação à homeopatia que, segundo Lourenço8,
até hoje não havia resolvido o principal problema
que estimulou a sua construção: “a elaboração
de um princípio unificador da terapêutica”.
Partindo desse pressuposto, pesquisou-se na direção
de um modelo capaz de uma possível regulação
desse terreno biológico que, de acordo com Labout9, englobaria
seu comando genético - a noção de história
neuro-endócrina- metabólica do indivíduo
e a resposta a todo agente agressor mesmo em uma patologia aguda
-, evidenciando a existência de memórias biológicas
e a importância de sistemas interativos no funcionamento
do corpo humano.
As afecções crônicas representam a resposta
a uma informação que é repassada ao biocampo,
que citando o exemplo das intoxicações crônicas
por organofosforados, representam uma informação
química que ao nível dessa matriz biológica,
apaga a memória biológica em relação
aos padrões coerentes de saúde do indivíduo.
Daí a irreversibilidade dos sintomas crônicos dos
indivíduos acometidos pelas intoxicações
a esses agentes químicos.
Essa condição requer uma terapêutica que
opere por informação biofísica no nível
desse terreno biológico, de forma a permitir que o sistema
receba uma nova informação coerente com os padrões
de saúde. Isso possibilita uma reintegração
e posterior reorganização desse sistema biológico
no sentido de buscar sua homeostase interna. Nesse contexto,
insere-se a terapêutica homeopática que, através
do modelo proposto estabelece uma possibilidade de prevenção
e controle não só das diferentes classes de intoxicações
por agentes químicos, como também demonstra a
propriedade intrínseca do medicamento homeopático,
no sentido de ser capaz de reorganizar essa matriz biológica,
de forma a reorientar esse biocampo em direção
à sua homeostase interna. Isso demonstra conseqüentemente
sua atuação no nível do doente e não
especificamente da doença, o que vem explicar a larga
gama de atuação desta preparação
medicamentosa homeopática em diferentes patologias.
Evidencia-se, neste trabalho, uma possibilidade de um novo olhar
da medicina oficial em relação à questão
da informação em nível de terreno biológico,
o que possibilita uma atuação terapêutica
na dimensão da susceptibilidade individual. Diante da
complexidade dos fatores ambientais que progressivamente causam
impacto à saúde dos indivíduos, promovendo
desordens sistêmicas cada vez mais complexas, levanta-se
a discussão em torno da necessidade de uma terapêutica
que atue diretamente nessa matriz biológica, através
de informação biofísica, de forma a reorientar
esse padrão de auto - organização para
padrões compatíveis com a saúde.
Os elementos empregados foram compilados a partir de mapeamentos
fundamentados na analogia observada entre estudos de alguns
elementos inseridos na Matéria Médica Homeopática
e quadros específicos de disrrupções endócrinas
, o que serviu de arcabouço para a elaboração
da presente pesquisa.
Esse método terapêutico emprega sete medicamentos
homeopáticos. Em virtude de operarem a nível do
padrão de auto-organização que integra
uma dimensão quântica, convencionou-se denominá-los
de fatores de auto -organização. São eles:
Antimonium crudun: medicamento homeopático preparado
a partir do Sulfeto de Antimônio SB2 S3
Kali carbonicum: medicamento homeopático preparado
a partir do carbonato de potássio K2CO3
Mercurius Solubilis: medicamento homeopático
preparado a partir do nitrato de mercúrio Hg(NO3)2
Sulphur: medicamento homeopático preparado a
partir do enxofre (S).
Natrum Muriaticum: medicamento homeopático preparado
a partir do cloreto de sódio. (Na Cl)
Aurum metallicum: medicamento homeopático preparado
a partir do ouro (AU).
Ammonium muriaticum: medicamento homeopático
preparado a partir do cloreto de amônia NH4CL.
Os estudos acerca desse método terapêutico vêm
sendo conduzidos no sentido de agrupar e realinhar tais elementos,
de forma a constituir um método terapêutico homeopático
que determina como resultante um sinergismo entre tais princípios
ativos de origem mineral. A seqüência de combinação
desses componentes, assim como os intervalos de tempo entre
os mesmos no momento de serem administrados, são essenciais
ao processo de ação deste complexo medicamentoso,
resultando daí a denominação de método,
que pelo fato de não mais necessitar ser individualizado,
permite uma estandardização da formulação
empregada, abrindo a possibilidade de análise no duplo
cego randomizado, com efetividade na reprodutividade dos resultados,
que é um dos critérios fundamentais em ciência10
Bibliografia
1-Amorim,M. Holismo, Homeopatia,Alquimia : Uma sincronicidade
para a cura. Editora Caravansarai. 2000.
2-Goodwin, B. Development and evolution. Journal of Theoretical
Biology. 97.1982
3-Laszlo,E; Conexão Cósmica. Editora Vozes. 1999
4-Beynam, L. The meeting of Science and Spirit. In WHITE, J.
Paragon House. Nova Iorque.1990.
5-Gurwitsch,A. The meeting of Science and Spirit. In White,J.
Paragon House.Nova Iorque. 1990.
6-Matutana,H; Varela,F. Autopoiesis and Congnition. D.Reidel.
Dordrecht, Holanda.1980.
7-Kent,J.T- Filosofia Homeopática. Casa Editorial Bailly
Bailliere.S.A Madrid 1926.pg 56-58
8-Lourenço, P. M.C. Homeopatia: Ciência ou ficção?
Meta análise da teoria homeopática. Dissertação
apresentada para obtenção do Título de
Mestre em Saúde Pública na área de concentração
de Epidemiologia.FIOCRUZ.1989.
9-Labout, H.;L’inhibition de l’áction biologic
comportamentale et physiopathologique.
Ed.Paris. Ed. Masson.1986.
10-Boiron,J.;Luu,D;Vinh,C; Etude de l’action de la chaleur
sur les dilutions
Hahnemaniens par spectrometrie raman.Annais Homeopathic Française.
FR.1980
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