Aspectos psico-emocionais relacionados à LER/DORT

I.TERMINOLOGIA:

LER: Lesões por Esforços Repetitivos
DORT: Doenças Osteomusculares Relacionadas ao Trabalho

II. HISTÓRICO:

Itália, 1700 - Bernardino Ramazzini, pai da Medicina do Trabalho, em escribas e lavadeiras
Brasil, maior incidência na década de 70. Epidêmica a partir dos anos 90.
Responsável por 50% dos casos de doenças ocupacionais
INSS, 1987 considera doença ocupacional
"Doença dos Digitadores"- primeiros a apresentar
Bancários, Telefonistas, Datilógrafos, Empacotadores, Metalúrgicos, Costureiras, Dentistas, Jornalistas, Músicos
Todas as funções em que o trabalhador é submetido a movimentos repetidos durante longos períodos.

II. DEFINIÇÃO:

"Afeções que podem acometer tendões, sinóvias, músculos, nervos, fáscias, ligamentos, de forma isolada ou associada, com ou sem degeneração de tecidos, atingindo principalmente, porém não somente, membros superiores, região escapular e pescoço, de origem ocupacional, decorrente de forma combinada ou não de:
a) uso repetido de grupos musculares;
b) uso forçado de grupos musculares; e
c) manutenção de postura inadequada."

(Norma Técnica do MPS, 1991).

III. QUADRO CLÍNICO:

Manifestam-se no sistema osteomuscular como tendinite, tenossinovite, bursite, fibromialgia, etc., cursando geralmente com dor, fadiga, processos inflamatórios, edematosos, etc., provocando desde uma incapacidade temporária para o trabalho, podendo evoluir para uma síndrome dolorosa crônica com incapacitação total, inclusive para realizar atividades simples, pessoais ou domésticas.

IV. DIAGNÓSTICO:

É essencialmente clínico e baseia-se na história clínico ocupacional, exame físico, exames complementares e análise das condições de trabalho.


V. TRATAMENTO

1. Conservador
a) repouso (imobilização + afastamento)
b) Medicamentoso (antiinflamatórios, analgésicos, vitaminas e medicaões sintomáticas)
c) Fisioterapia
d) Terapia Ocupacional
e) Psicoterapia e psicofarmacologia
2. Cirúrgico

VI. PREVENÇÃO

a) Pausas para descanso, com práticas de exercícios de distencionamento
b) Treinamento de prevenção
c) Equipamentos de proteção individual
d) Redução do ritimo e da jornada de trabalho
e) Diminuição da sobrecarga muscular
f) Mecanização ou automatização do processo de produção
g) Diversificação de tarefas
h) Estudo ergonômico: adequação do mobiliário, máquinas, equipamentos e ferramentas às caracteristicas fisiológicas do trabalhador

VII. PRINCIPAIS FATORES DETERMINANTES

1. Postura incorreta
2. Movimentos Repetitivos/ Esforço
3. Fatores Psicológicos: características individuais de personalidade.

VIII. ASPECTOS PSICOLÓGICOS E EMOCIONAIS

1. Principais características do perfil psicológico:

Perfeccionistas, exigentes, inadimitem falhas e erros
Sentem-se fortes, sobrecargam-se, ultrapassam seus limites
Dificuldade de dizer não e dar limites
Necessitam fazer pelos outros, doar-se, agradar, ser bomzinho(a)
Dificuldade de pedir e de receber ajuda
Orgulho e vaidade, acham que fazem melhor que os outros
Desconfiança, não confiam nos outros
Necessidade de reconhecimento, valorização e aceitação
Preocupação constante com a produção
Busca de maior produtividade com melhor qualidade
Sentimentos de independência exagerada
Inadimissão do sentimento de impotência e fragilidade
Competitividade
Sentimentos de inferioridade, baixa auto-estima
Distorçao da autoimagem e da identidade pessoal
Sentimentos de culpa
Sofrem calados sua dor

2. O corpo fala: sintoma ou doença como forma de expressão não verbal

O que não está podendo ser dito verbalmente, e só está podendo ser expresso através do corpo?

Os profissionais de saúde continuam a dizer quer as LER/DORT são conseqüências exclusivas da repetitividade do movimento, sem compreender nem valorizar os aspectos psicoemocionais do indivíduo.

A repetitividade é apontada como nexo-causal.

3.A repetição

A repetição de atos é determinada pela necessidade de compreensão de algo que ainda não foi transposto ao registro simbólico.

A doença está sendo a única forma possível de expressão de uma situação vivida em seu trabalho de modo angustiante, por encontrar-se em estado total de impotência, que é uma forma de produção de angústia.

5.A doença como sistema de defesa:

A dor: "não me toque, afaste-se de mim"
A imobilização: "não posso fazer nada, estou imóvel, meu corpo parou"

6.As reais necessidades e desejos infantis insatisfeitos, é o que está por trás da defesa

6.1.Compreensão e interpretação da linguagem dos sintomas através das queixas:

- "Estou sofrendo tanto": olhe para mim
- "Sinto tanta dor": sou carente, necessito de carinho, de afeto e de ser tocado.
- "Não posso fazer nada": cuide de mim, faça por mim, sinto-me impotente e incapaz
- "Depressão horrível, impressão de que vou morrer, como se estivesse entrando num buraco, como se estivesse sumindo. Tá tudo caindo na minha cabeça, não vou conseguir levantar. To muito mal. Nada me serve, nada me ajuda,. Acho que vou ter alguma doença grave, vou morrer de repente, como se fosse me desligar. Sinto vontade de me matar, pensamentos que vem sempre: socorro, ajude-me, tire-me daqui, salve-me.
"Sinto-me muito só e desprotegido": preciso de sua companhia e proteção
- "Não admito falhas e erros, controlo tudo, faço tudo com perfeição": tenho medo de perder o controle, medo da loucura e da morte
- "Sou forte, orgulhoso, vaidoso e independente, não preciso de ajuda": sou muito dependente, como uma criança pequena, preciso de ajuda, não agüento mais.
- "Só quero mostrar o lado bom. Os problemas não quero que ninguem veja": tenho raiva, vontade de brigar, destruir, tristeza, culpa, mágoa, ressentimentos fracasso, vergonha, sou frágil e impotente": sou dependente e frágil, tenho medo de pedir ajuda, medo de não ser aceito, ser rejeitado e abandonado.


IX.O TRATAMENTO PSICOTERÁPICO TEM COMO PRINCIPAIS OBJETIVOS:

Levar o cliente a reconhecer e expressar suais reais e verdadeiras necessidades
Consciência e quebra das defesas, ou seja, retirar a máscara.
Liberar a energia que está sendo utilizada para manter as defesas, e utiliza-la para fortalecer o verdadeiro "Eu" ou "Self", bem como usá-la para realizar suas reais necessidades, desejos e objetivos.
Desenvolver o auto-conhecimento, a auto-expressão, o auto-domínio das emoções.
Reconhecer os mecanismos de defesa que mais utiliza
Ser mais autêntico, estar mais em contato com a realidade
Melhorar a auto-estima e a autoimagem
Desenvolver o verdadeiro senso de Identidade Pessoal
Expressar o eu verdadeiro, "Self" a verdadeira Essência - contato com o Coração
Ver o sintoma ou a doença como um processo de mudança em todos os níveis, inclusive profissional.
Sair do papel de vítima
Desenvolver a consciência de sua verdadeira missão como Ser que habita o planeta
Desenvolver a auto-aceitação, reconhecendo suas reais dificuldades, limitações e potencialidades.
Desenvolver o amor a si próprio, respeito e amor aos seus semelhantes, ou seja, a verdadeira solidariedade e compaixão.
Integrar-se com a ecologia e meio ambiente onde vive.

Salvador, 18 de setembro de 2002.
Overlack Ramos Campos Filho
Médico Psiquiatra e Psicoterapeuta Bioebergético.
CREMED 6193

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